A mãe do bebê que morreu supostamente por fome continua presa nas carceragens da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc). A estudante Gedeane Alves Pereira, mãe do menino Jeferson Pereira Rocha, de 1 ano e 8 meses, é suspeita de não alimentar o filho aproximadamente três dias antes da morte do bebê, que ocorreu na tarde de quarta-feira (3), às 17 horas, no Setor Negrão de Lima.
De acordo com a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Adriana Accorsi, a perícia afirmou que não foi encontrado nenhum tipo de alimento nas vísceras da criança. “Ela foi autuada inicialmente em flagrante por homicídio culposo”, afirmou. A polícia encontrou na casa que Gedeane morava com o filho Jeferson e o amásio Mateus documentos de hospitais que confirmavam que desde novembro do ano passado o menino sofria de anemia. “Os comprovantes de novembro a janeiro deste ano continham diagnóstico de anemia, desnutrição e recomendavam a alimentação correta”, afirmou a delegada.
O laudo final do Instituto Médico Legal (IML) ficará pronto até a próxima semana e poderá confirmar se Gedeane tinha a intenção de matar o filho. De acordo com a delegada, o corpo da criança apresentava lesões e manchas roxas. “As pernas e os braços estavam finos, o pescoço fino e mole e a barriga inchada”, relatou a delegada. O menino foi encontrado deitado em um colchão sujo em um quarto. Ela afirmou que os vizinhos relataram que não ouviam o barulho do choro ou do caminhar da criança.
Gedeane confirmou para a polícia que tinha aproximadamente 20 horas que o bebê estava sem comida. Ela contou para a reportagem que a última refeição que deu ao filho foi no dia anterior da morte, às 20h30. “Saí para ir ao colégio e deixei o bebê com meu marido, quando cheguei, ele continuava deitado no colchão. Fui brincar com ele, mas ele desviou o olhar”, afirmou. Ela complementa que Jéferson voltou a dormir. “Achei que era normal por causa da anemia”, falou. Gedeane relatou que o marido foi fazer o almoço e ela, tomar banho. “Não o acordei para comer, porque ele sempre desperta sozinho, chorando quando está com fome”.
Gedeane afirma que o marido saiu para fazer compras e ela ficou em casa assistindo televisão. “Quando meu marido chegou, me chamou e vi o bebê morto”, relatou. A suspeita afirmou que o filho não estava sem comer e que ele não tomava medicamentos para a anemia. “Não dava açúcar para ele a pedido médico.”
A suspeita afirmou para a polícia que desconhece que fez as lesões no filho. “Ela viu o bebê com taquicardia e falta de ar e continuou a ver televisão”, relatou a delegada. Na residência da vítima a polícia localizou muita comida.
A delegada afirma que a DPCA sempre é chamada quando uma criança morre de morte natural fora dos hospitais. “Fomos chamados por suspeita de engasgamento. Por isso a atuação em homicídio culposo”, relatou a delegada. Gedeane confirmou que ofereceu o filho para a mãe criar. “Minha mãe tem mais recurso. Falava brincando, mas se ela o aceitasse continuaria perto de mim”, falou a estudante.
De acordo com a polícia, a suspeita não apresentava distúrbios mentais. “A mãe parecia entediada e sem sentimentos”, afirmou a delegada. A estudante afirma que chorou muito quando viu o filho morto. “Meu marido preparou uma água com açúcar reforçada para mim. Não chorei porque já não tinha lagrimas”, afirmou. Segundo Gedeane, o pai do menino mora no Pará e nunca mandou dinheiro para ele.
A suspeita afirmou que a consciência estava limpa, que havia alimentado o bebê. A mãe de Gedeane, a professora Zenobia Márcia de Pereira, 46, afirmou que quando o neto e a filha moravam com ela, nunca viu a filha deixar o bebê sem comer. “Depois de agosto do ano passado, quando ela foi morar com o Mateus, perdi um pouco o contato”, relatou.
Márcia relatou que há uns quatro meses brigou com a filha e era proibida pelo genro de visitar Jeferson.